Coturnos inativos jogados ao chão
outróra usados em uma guerra em vão
agora sem serventia são somente pedaços de couro
marcados, salpicados com sangue e choro
coturnos inativos jogados ao chão
outróra usados com amor e paixão
cujo dono, um jovem, seu pé já não há
o corpo descança em algum lugar
tombado em ação junto ao seu fuzil
seu sangue, jovem e viscoso fugiu
a vida tão frágil exauriu
em uma guerra de mentiras
de motivos excussos
na guerra bondade não há
crianças são mandadas para tombar
por homens frios que manipulam as massas
e trazem às familias a perda, a desgraça
para que um dia os coturnos sejam esquecidos
sem seus donos para lhes engraxar
porque por amor serviram seus países
países que não exitaram à morte seus filhos mandar
e hoje,
coturnos inativos apodrecem no chão
com os cadarços embaraçados e o couro desgastado
coturnos inativos usados em vão
esquecidos em sua inatividade cadaverica
amortecidos na vergonha de seu país genitor
com o fim de sua era
e a dormencia da besta fera
Bruno The Joker
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