terça-feira, 28 de outubro de 2014
Candelabro de prata
As traças comem a velha partitura amarelada
notas e acordes somem a cada segundo
tornando cada vez mais sem sentido
a música que toca ao fundo
continua a chover neste dia nublado
a velha mansão está em pedaços
aos poucos somem as lendas, perde-se um marco
enquanto a construção afunda no solo charco
observa a tudo de longe o velho demente
mas apesar de inerte, decai em prantos em seu inconsciênte
enquanto perde suas memórias remanescentes
não há mais fauna
não há mais flora
há somente a relva daninha
que se enrosca na espora
desatino descarado
arrepios infundados
gargalha o velho demente
no inconciente ele pressente
o candelabro de prata escureceu com o tempo
as velas já não o visitam a tempos
o velho demente permanece na mansão em pedaços
vestindo velhos farrapos
não há compania
não há outro ser vivente
é o fim das eras
a morte da serpente
gargalha o velho demente
já sabendo o que tem pela frente
Bruno Giannotti
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